É tempo de mudança

É dezembro. E parece que foi ontem que os filhos entraram no quartel. Foi um susto para mim quando recebi a notícia em fevereiro; e descobri que também foi para a maioria das mães do @bizudemae. Na vontade de querer não querendo, todos nós fomos pegos de “calça curta”. E a tarefa do ano foi aprender a lidar com os sentimentos e as transformações.

E as mudanças continuam… As listas das baixas oficiais entre os soldados que cumpriram o serviço regulamentar devem ser entregues antes do fim do ano. Nos bastidores, muitos imaginam o que reserva o destino para os próximos anos. Têm os que se alegram porque irão continuar vestindo a farda. E têm aqueles que queriam ficar, mas as chances são poucas. E o choro é livre. Se têm quem não queira, têm muitos que sonhavam em seguir a vida militar.

Diante disso, paro para pensar. 12 meses de um tempo que nossos filhos foram testados. Aprenderam a ser soldados e a agir como tal. De um lado, a alegria de quem se empenhou e teve o retorno do resultado. De outro, dois vértices. O que buscaram seguir as regras, mas descobriram que nem sempre é suficiente para o resultado positivo; e a pena de quem não conseguiu entender e trazer para si qualidades como disciplina, senso de grupo, união que faz a força e diferença, companheirismo. E, assim, tem quem vai sair em 10 querendo não sair e quem aprendeu e burilou os valores aprendidos no mundo verde. Cada um é cada um.

Daqueles que não ficarão e gostariam, reflito que para homens em formação é mais um dos primeiros desapontamentos dos tantos que a vida reserva como aprendizagem. Com certeza – eu espero! – que eles parem para pensar que o tempo que ficaram aquartelados serviu mais do que cumprir missões, mas que foi um tempo de entender a dinâmica das relações interpessoais, de grupo e o que cada ato traz como consequência. Sinto por aqueles que lutaram para ficar e que interferências conhecidas e desconhecidas apontaram outro destino.

Foi um ano cheio de novidades; intenso de sentimentos de ambos os lados. Quisera saber o que cada um dos soldados conseguiu apurar para si. De algumas mães do Bizu consigo apurar, ouvir e incentivar. Tem vida lá fora e depende de cada um o que os espera.

Tivemos baixas precoces por motivos de saúde; tivemos intercorrências motivadas por brigas e alterações; tivemos dois suicídios de jovens que amavam o que faziam mas não tinham a estrutura e o ombro certo para tirá-los da depressão; tivemos mudanças de pensar e agir; tivemos lágrimas de emoção ao vê-los em formação entoando os hinos; tivemos sobressaltos ao imaginá-los em situações aquém do que viviam antes; tivemos orgulho ao vê-los se transformarem. Não tem como passar incólume por esse período.

Pela minha experiência pessoal, partilhei todos esses sentimentos com 34 mães. Algumas mais participativas, outras nem tanto. Mas, atentas. Quero mais e não quero parar porque os resultados, mesmo ínfimos diante de tantas coisas, foram relevantes para muitas famílias. Lembro de uma frase do ativista Martin Luther King que diz: ” Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios.” E isso tive de sobra.

Ouvi uma frase de um militar veterano outro dia que parei para pensar. Vai passar um tempo e eles vão ter saudades. Vão lembrar com apreço de tudo que passaram e, se não levarem os ensinamentos para a vida, vão ter isso guardado em algum lugar, mas serão homens diferentes dos demais. E vão se emocionar toda vez que passarem pelo quartel; e vão buscar saber do irmão de farda senão pela amizade, por curiosidade; e mais do que tudo, saberão que podem ser e passar pela pior das dificuldades. Eles foram testados e ultrapassaram os limites e venceram. Qualquer outra batalha, é fichinha.

Notícias que vem de longe

Ontem eu recebi um presente de uma mãe que mora longe. Um verdadeiro diário de recruta escrito ao longo dessas últimas 18 semanas a quatro mãos. Desde julho, quando a Tânia Paranaíba, moradora de Campo Grande (MS) conheceu o Bizu de Mãe, tenho me acostumado a viajar, diariamente, em pensamento cerca de mil quilômetros para estar com ela e ouvir as aventuras e desventuras. Acompanhei tudo, e salve a tecnologia que aproxima e os recursos que acolhem quando a gente mais precisa de alguém que nos entenda! Entre os relatos dessa mãe que virou amiga, vou dar meus pitacos dos bastidores. Boa viagem!

Da seleção e recrutamento

“Férias escolares de julho: João cursando o terceiro ano do ensino médio,  formatura sendo organizada, concursos de vestibular sendo planejados, o curso de psicologia escolhido. Meu filho estava se preparando para o ENEM. Por ser férias, resolvemos passar uns dias em São Paulo na casa de nossos afilhados. Não tínhamos ideia de como seria o final do ano com tanta programação para os concursos. Foi aí que João nos lembrou da data de apresentação no quartel. Uma semana de diversão em família, eu, Val e João voltamos para o dia marcado. 

Foram mais ou menos 15 dias indo todos os dias no período matutino para a seletiva. Tudo certo. O pai incentivando e eu não muito. Pensava no vestibular e no derradeiro último ano escolar. Mas, sabia que a decisão tinha que partir do próprio João.

O sentimento que refletiu nas primeiras semanas nada mais foi do que encantamento. A estrutura do local, as histórias ouvidas dos mais antigos. E, de repente, vi o João assistindo vídeos do Exército e lendo reportagens sobre o alistamento obrigatório. Vou confessar que me assustou. Eu não estava preparada para aquele mundo completamente desconhecido.

No entanto, sempre tive Deus em minha vida. Entreguei a Ele, e naquele dia soube que teria que confiar.

Sou uma mãe curiosa e, enquanto ele assistia seus vídeos e buscava informações, eu fazia o mesmo. Sempre respeitei o espaço do João e não queria ficar perguntando e dando conselhos que interferisse na decisão do meu filho, mas não podia ficar às escuras.

Não vou mentir, li e assisti tudo que o Google me apontou a cada palavra de busca. Notícias que tinham fundamento e a grande maioria sem. Mentirosas – verdadeiros fakenews. E cada susto, partilhei com o Val que buscava me acalmar. “Não será ruim para ele” repetia, diante de letras que diziam “aqui o filho chora e a mãe não vê” ou “aqui o menino cresce e vira homem”. Como assim?

O período de seleção foi passando e a cada dia uma ansiedade tomando conta. Não precisava mais acordar o João que entrava no quartel às 5h30. Responsável, deixava separado o tênis limpo, diariamente, e a roupa. Nesses pequenos gestos, percebia que meu filho estava mudando. E, a cada retorno, corria para perguntar. “É aí? É sim ou não?”

A resposta sempre era a mesma: “Ainda não falaram nada”…. Nossa, não entendia aquele demora, e me atormentava porque as aulas tinham reiniciado e o João estava faltando.

O dia que chegou careca do quartel e eu soube que teria um filho militar.

Até que um dia ele chegou e se escondeu. Fui atrás, curiosa, e perguntei “Filho e aí?”. A minha frente surgiu a resposta. O cabelo quase raspado a zero. Uma cara de alegria, felicidade pura. Não me contive e cai em lágrimas em um misto de sentimentos de alegria e de medo. Meu filho sempre se mostrou muito maduro e compreendeu meu sentimento. Me abraçou e disse para ficar tranquila e confiar que tudo daria certo. O sentimento do pai não foi diferente. Alegre e orgulhoso, o pai sabia que o filho estava tomando uma decisão que ele próprio tinha se esquivado, na época do serviço militar.

Emoções à parte, muitas decisões deveriam ser tomadas nos próximos três dias de ingresso definitivo e internato. A única coisa que pedi para o João era que não parasse de estudar. João cursava o ensino médio integral quando foi aceito, e a solução foi pedir transferência para o curso noturno. Seguiu-se a despedida dos colegas de escola e de sala. Amigo e comunicativo, os colegas, professores e direção ficaram felizes com a decisão dele querer servir o Exército.

Internato

A ida para o internato.

João chegou com uma lista que precisa levar para o período de internato, o tão esperado tempo que ficaria dentro do quartel sem nenhum contato com o mundo civil. O que era chamado de período de adaptação com aquele mundo desconhecido. Preparamos tudo que a lista pedia, desde os produtos de higiene, roupas até kit para engraxar o coturno. No domingo, meu filho precisou se apresentar no quartel no fim da tarde.

Chegou o dia 4 de agosto de 2019. Antes de sair de casa, conferimos tudo para ver estava certo e seguimos para o destino que faria parte de nossas vidas por pelo menos um ano. Mas, se depender do João, será por muito mais tempo! Da nossa casa ao quartel a distância é de 9km, e nesse percurso, fomos os três conversando. Seriam 20 dias sem contato. Era a primeira separação de nossas vidas.

Chegando ao quartel, pensamos que seria possível descer e ajudar a levar a bolsa. Nos despedir … Foi nesse momento que minha ficha caiu literalmente. O quartel está localizado em uma via rápida e não é permitido estacionar. O local mais próximo estava fechado. Paramos para somente desembarcar, sem abraços… E, que sensação estranha.

Eu confesso que preferia que meu filho estivesse indo passar um ano estudando fora do que deixá-lo ali, daquela forma. Mas, parei e pensei mais uma vez que estaria sendo egoísta em pensar no que eu queria e não no que ele desejava.  Eu vi meu filho descendo do carro com um olhar assustado – meio com medo – mas vi também uma vontade de enfrentar tudo aquilo sozinho. Ele foi e eu pedi que o Val ficasse dando voltas para observar.

Vi meninos chegando sozinhos de Uber e de ônibus. Pensei por qual motivo as famílias não estavam ali? Pensei se seria a mãe que sempre disse para o João que não seria. Sempre disse que João não seria “filhinho da mamãe” e que não seria possessiva. Mas, naquele momento o que simplesmente queria era vê-lo entrar. Nada mais. Eu e o Val voltamos para a casa mudos. Calados, em lágrimas. Quando entrei em casa pensei: hoje sou eu e ele. Sempre fomos nós. E agora?

Teríamos que nos reinventar, nos redescobrir. Mas quem disse que minha cabeça estava tranqüila? Eu precisava conversar com alguém que já tivesse vivido ou estivesse passando por aquilo que eu estava passando.

Acreditem, eu descobri que o amor que eu sinto pelo meu filho é muito, muito além do que imaginava; é difícil de explicar, mas posso dizer que é algo que mexe e transforma a gente.

Foi aí que encontrei a minha então amiga Aline do blog Bizu de Mãe. Estava trabalhando quando encontrei o blog e comecei a ler as postagens e não consegui parar. Fui até a postagem mais recente. Tinha encontrado alguém que vivenciava os mesmos sentimentos que os meu. Eu não era única!

No final da leitura peguei o contato dela e mandei meu agradecimento. Naquele tempo de procuras pela internet não tinha encontrado nada que me ajudasse e o blog foi de grande valia para acalentar meu coração. Sentei e mandei uma mensagem e ela com muito carinho me respondeu. Desse primeiro contato, nasceu uma amizade que vai além dos nossos recrutas, vai além do nosso Mundo Verde Oliva, porque descobrimos coincidências que nos aproximam muito.

E aí nesse período de internato, conversávamos todos os dias, porque a falta de notícias era sufocante. Mas, conversava com a Aline e ela me tranquilizava ….

Bizu de Mãe: nesse ponto, vou dar meu pitaco (risos). Nesse mês, meu filho estava há quase seis meses no quartel; o grupo de mães que seguiam no grupo do WhatsApp era de 28/29 mulheres na mesma condição. Foi uma grata surpresa e alegria quando a Tânia me enviou a mensagem. Na semana anterior, uma mãe do Rio Grande do Sul tinha curtido o Bizu de Mãe e enviado uma mensagem, curiosa sobre o trabalho. Foi um momento que eu percebi com alegria que estava tocando as pessoas como tinha sido meu objetivo. E eu queria mais, ampliar a rede e ajudar muitas obras. A Tânia é uma amiga. Durante os dias que o João ficou no internato – e diferentemente do meu filho que não teve acesso ao celular, o João podia mandar uma mensagem em determinado horário da noite. E assim, fomos seguindo dia a dia, contando os que faltavam para que a mãe pudesse rever o filho. Aconselhava ela sair, continuar com a rotina e ficar tranquila. Tudo estava certo na caserna. E, muitas vezes me pegava pensando que naquele período eu era só. Eu, o Hugo e o Helcio que me aturavam, que me viam chorar e me deixavam quieta. Não queria que a Tânia passasse pelo mesmo que eu. Voltamos ao relato…

Estava em uma sexta feira, nos preparando para ir à missa quando eu, sentada na sala, e Val, no banho. Ouvi o barulho do portão abrindo. Me assustei. A cachorrinha Hanna estava chorando – ela só faz assim quando somos nós – então, me levantei e fui ver. Nossa! Que emoção em escutar aquela voz rouca … O João estava ali, na minha frente. Me olhou e pediu os R$ 5 para completar o Uber. Nervosa, não encontrava a bolsa que estava no lugar de sempre. Mas, não enxergava mais nada. Chamava o Val que ainda estava no banheiro e abraçava bem apertado meu menino. Ia olhando para ver se estava tudo no lugar, se estava machucado. Nada, ele estava lindo e perfeito como sempre. Um pouco mais magro.

João entrou abrindo a geladeira. Tudo que via pela frente ia comendo. O bolinho de arroz de dois dias era um manjar porque há dia não sabia o que era comida de verdade. Foi o dia mais feliz da minha vida. Não fomos à igreja e pedimos pizza. Nesse tempinho, ele foi contando algumas coisas que tinha vivido nos 15 dias do internato. O quartel liberou antes por conta dos cortes de verba.

A partir daí, ele iniciou um expediente normal. Digo normal entre aspas porque tinha horário para entrar, mas nem sempre para sair. Por não ter horário certo par sair, a dificuldade de ir à escola começou a ser frequente. A sorte que por estar no quartel, tinha como fazer as provas em dias diferentes. Agora, o preparo era para a entrega da Boina Verde Oliva e o tão falado campo de exercícios.

Campo

Nesse período levávamos e buscávamos João no quartel. Ele tem carteira de motorista, mas temos um carro. É melhor levar e buscar, até para facilitar. Por diversas vezes, enquanto esperava conheci pessoas e suas histórias como a do sr. Chiru, avô de um soldado do mesmo pelotão do João. Homem simples que criou os três netos junto com a esposa. No olhar e nas palavras dá para perceber o carinho e amor pelos netos. Também serviu ao Exército como motorista e espera que o neto aproveite cada momento e cada oportunidade.

Algumas vezes, o João ia à loja de artigos militantes, e eu – nada curiosa -entrava para olhar os acessórios, Para mim, um mundo que jamais imaginava entrar e que estava encantada. Mas, cuidava para ser discreta (risos). Sempre procurei não me intrometer quando ele estava com os amigos. Conheci o canga do meu filho. Àquele é companheiro de atividades, um quase irmão responsável de um cuidar do outro.

Foi nessa mesma loja que pude presenciar um dos momentos mais de expectativa desses meninos-homens, quando eles precisavam montar o tal kit do campo capaz de ajudar na sobrevivência.

Os números feitos para identificar.

Nós preferimos comprar os artigos da lista e montar os kits; outros, compraram os kits prontos. João ficou, também encarregado de fazer todos os números de identificação da tropa. Foram quase 200 identificações.

E o Dia do Campo estava chegando. Por coincidência, eu e Val íamos trabalhar no retiro da igreja e a nossa ida seria no mesmo dia do retorno dele. Bateu aquele desespero. Avisei na igreja que precisávamos ver o nosso filho retornar do campo. Sugeri até que pudéssemos chegar mais tarde naquela sexta. E entreguei na mão de Deus. Queríamos muito servir, porém jamais deixaria de buscar meu filho no retorno de uma atividade tão importante para ele e para nós depois de cinco dias. E Deus preparou tudo. Naquele mesmo dia, João me disse que o campo tinha sido adiado devido a visita do Comandante Geral do Exército.

Ufa, Deus queria eu e Val servindo naquele retiro, porque Ele queria cada vez nos lapidar para conduzir nossa família e a assim foi, porque confesso que meu coração estava na mão do temido campo. Passado uma semana, João chegou com a nova data de 30/09/2019.

No domingo dia 29/09 fizemos um checklist e conferimos tudo que tinha que levar. Sabendo que os pés eram os que mais sofreriam naqueles próximos dias, preparei água com sal e muita água benta, que sempre tenho em casa, coloquei algumas gotas de óleo essenciais e pedi para que colocasse os pés e ficasse tranquilo. Por orientação da Aline, resolvemos enfaixar todo o pé com micropore, dedinho por dedinho para ajudar a combater a umidade e proteger do atrito com o coturno. Deu muito certo.

Mais uma vez, estávamos lançando nosso pequeno menino ao seu voo onde estaria em situações inimagináveis nos próximos cinco dias de Campo na região de Miranda no Campo Betione. Mais uma vez curiosa, pesquisei sobre a região. Descobri que a região tem bastante mosquitos (pernilongos), e estava tendo focos de incêndio. Muito repelente!

Dessa vez, entramos no estacionamento e assim pudemos nos despedir e ver ele entrando pelos portões do quartel. Queria registrar esse momento então tirei uma foto e saiu trêmula , da mesma forma que estavam minhas mão, minhas pernas e meu coração.

Então mais uma vez eu e Val voltamos para casa por momentos em silêncio. Mas, estava bem mais tranquila do que da outra vez confiava no João e sabia que seria importante para ele aquele desafio. Acredito que o sofrimento era mais nosso do que dele.

Então nos dias de campo, eu tentei não pensar muito em coisas ruins, porque eu precisava mandar para ele todo pensamento bom, alegria, força, e muita muita oração.

Na metade da semana, quarta-feira, Val estava ansioso e eu também. Resolvemos ir dormir na chácara com meus sogros. E foi muito bom acordar em meio da natureza, olhar o nascer do sol, que por sinal estava lindo, e ali fazer minhas orações e pedir a Deus que estivesse lá com o João sustentando, fortalecendo, segurando na mão dele, carregando meu filho nos braços. Tinha certeza de que Deus esteve ao lado do meu filho durante todo aquele período.

Na quinta, ligamos no quartel para saber o horário da chegada do João porque queria deixar tudo pronto e estar lá, de prontidão para dar aquele abraço apertado. Nos informaram que o grupo deveria chegar por volta ads 11h.

Na sexta organizei tudo. Fiz uma deliciosa lasanha que ele gosta; deixei o quarto arrumado com roupas de cama limpas, toalhas limpas. Tudo cheiroso. Quando foi às 10h fui para o quartel. Mas, antes passei no McDonalds para pegar o lanche preferido dele; e um tererê gelado. Ia estar com fome, com certeza!

Cheguei e não tinha nenhum carro. Fui até a recepção e me informação que a previsão continuava sendo por volta das 11h.

O movimento estava mais intenso naquele dia, porque na sexta geralmente é meio expediente. Eram viaturas chegando, de todos os tipos, caminhão pipa, caminhão de transporte, carros oficiais, ambulâncias, enfim as horas se passaram e nada deles chegarem. Liguei para a Aline para conversarmos para passar o tempo e reduzir minha ansiedade. E nós duas estranhando por não ter nenhum pai por ali.

Quando voltei à recepção, encontrei um casal e duas mães. Dona Suely e o esposo, um casal humilde e simpático. Que doçura ao falar do filho! Estavam à espera desde as sete da manhã pois tinham passado a informação que chegariam a partir daquele horário, e como precisavam vir de ônibus, o melhor era esperar.

No entanto, era 13h e nada de nossos meninos. De repente, em meio a uma pancada de chuva avistamos o comboio. Que que emoção ao ver os caminhões parados no semáforo. Podíamos escutar eles cantando e sentir a vibração desses meninos, com os rostos sujos de barro, cansados. Mas a vibração contagiava quem estivesse assistindo.

Não fomos autorizados a entrar no quartel, mas fomos informados que eles teriam que ajudar a descarregar e organizar os suprimentos, e que só seriam liberados por volta das 16h. Pensei em levar a dona Suely e o marido para minha casa e retornarmos no horário combinado, mas outras duas mães – que moravam no mesmo bairro – os levaram antes.

Bizu de Mãe: desde o inicio da manhã acompanhei a trajetória da Tânia, passo por passo. Trocamos áudios, fizemos videoweb, recebi fotos da chegada dela ao quartel. Na terça, ela tinha me dito que havia a possibilidade de chover. Avisei que seria péssimo para os soldados caso uma chuva caísse naquele momento do campo. Bora lá pedir para São Pedro adiar a abertura das comportas (risos) e assim foi dia a dia perguntando: “Tá chovendo aí?”. Quando a Tânia me disse que estava vendo o comboio chegar por volta do meio dia, suspirei que agora podia chover o quanto fosse necessário para lavar a alma. E dito e feito. Choveu e ela me contou na hora que os pingos grossos viraram chuvarada. Chorei ao me lembrar da emoção que foi o dia da espera do meu filho e de quantas simpatias tinha feito para não chover naqueles dias. Diante do que me disse que eles iriam demorar para sair, alertei a Tânia de que o melhor era esperar. Pela distância, não sabia se compensava ela sair correndo para casa para ter que voltar a qualquer momento. E, bingo! A história se configurou como tinha imaginado.

Mal coloquei o pé em casa, João me ligou avisando que iam ser liberados. Avisei o Val e fomos. Ansiosa, só sabia repetir para o Val andar mais rápido. E deu tempo, quando chegamos encontramos finalmente outras famílias.

Pelas grades do quartel, avistamos todos eles em forma, com as mochilas. Corremos para o portão, e um por um os soldados iam saindo em formação. Então vimos o João. Meu Deus, como estava magro, bronzeado do sol. Dei um abraço, olhei para ver se estava machucado, e ajudei a carregar aquelas sacolas pesadas. Nossa, que alegria em poder ver ele. Apesar de cansado, sujo, magro, João estava feliz.

Foi um resto de tarde com partilha de alegrias e dificuldades. Contou-nos que não foi fácil mas foram dias de experiências únicas. Jamais tinha pensado que viveria. Foi além da força física, com momentos de dor do limite muscular, mas que superou. E por nossa parte ao ouvir aquilo, foi só orgulho do nosso pequeno e agora grande guerreiro.

A entrega da Boina Verde Oliva

Passados alguns dias, chegou o dia de sua formatura, finalização daquela etapa inicial de aprendizado e superação. Agora o recruta se tornaria o SD. Paranaíba.

Val, eu, a vó Carminha e a prima Ana Helena.

Dia 18 de outubro, às 10 horas pelo fuso horário da região era para estarmos no quartel para participar da cerimônia. Chegamos às 9 horas.

Chegamos ao final do ensaio. João sério, muito concentrado, exercendo todos os comandos. Era o primeiro da fileira e conseguimos sentar bem de frente. Mas, em nenhum momento seu olhar fixou em nós. Quando o grupo voltou para o alojamento, os padrinhos foram orientados a se dirigirem até os sargentos para pegar a Boina a ser entregue ao soldado. Decidimos que eu e Val iríamos entregar a boina, juntos. Reencontrei a dona Suely, a namorada de um dos colegas do meu filho e outras mães que tinha visto no outro dia.

Que emoção em receber aquela boina por todo significado que tinha na história de vida do João. Sabia que a partir daquele momento, meu filho iria viver grandes momentos dentro do Exército. Momentos que não seriam fácil, mas sempre confiante de que tudo tem um propósito, e para isso precisávamos ter muita sabedoria.

Iniciada a cerimônia, ouvimos de um dos militares, a Oração do Soldado. Escutamos que nossos filhos só estavam ali por mérito deles próprios e que agora começaria uma nova etapa dentro do período obrigatório.

A banda tocou e fomos convidados a sair de nosso lugar e ir até os nossos meninos colocar a tão cobiçada boina. Desci a escada correndo e fui ao encontro do João. Ao olhar o rosto do meu filho, não contive minhas lagrimas, porque estava coroando aquele momento. Eu e Val o abraçamos. Agora é com você, mas saiba que em todos os momentos de dor e de alegria estaria ali. O mais triste é que ao olhar para os lados percebi muitos sem alguém da família. Minha vontade era ir lá abraçar cada um e parabenizá-los. No entanto, quem fez o papel do padrinho eram sargentos designados para a função.

O quartel é um ambiente onde tudo é vivido dia a dia; não podemos criar expectativas, porque não sabemos o que vai acontecer. Oque nos resta é acreditar que tudo é mérito de cada um deles e cada soldado vai escrever uma história incrível. Mesmo àqueles que não queriam estar ali. Um dia poderão contar a seus filhos e netos como foi servir ao Exército Brasileiro e a Pátria.

Então assim foi finalizada a cerimônia, com elogio do Comandante ao João, com a possibilidade de conhecer outros soldados que convivem com meu filho, mas a certeza de que uma nova fase está se iniciando.

Braço forte, mão amiga: uma reflexão

“São 2 horas da manhã e eu estou aqui vendo vídeos de militares que voltam pra casa de surpresa das suas missões. Missões no Afeganistão, no Iraque, no Kuwait, no Haiti (esses são os nossos!)

Eu sou a Jana Oliveira, mãe do EV 527 Custodio – 1° Pelotão Couraça do Grupamento Bravo, do Quartel General da 5° RM – 5° DE

E hoje esses vídeos que eu estava assistindo são muito especiais pra mim.
Hoje coloquei a Boina Verde Oliva no meu filho.
Hoje ele se tornou um soldado!

Havia conversado com a Aline, do Bizu de Mãe, sobre escrever um texto para o blog. Mas, diante dos acontecimentos de hoje, perdi o fio da meada sobre o que ia escrever.

E decidi escrever sobre ser a “mulher na vida de um militar”.

Não me importa qual sua “patente” na vida dele: mãe, avó, esposa, namorada, irmã, filha….. Ou se você é o “homem” nessa história: pai, avô, esposo, namorado, irmão, filho….

Estamos todos na mesma vibe: NÓS ESPERAMOS.

Nosso mundo muda de Azul ou Rosa para Verde Oliva. (Ou as cores de uma das outra forças, porque quem espera se sente igual do mesmo jeito)

Nossas expressões mudam. Nosso vocabulário muda.

E nós esperamos.
Esperamos a convocação.
Esperamos a aprovação.
Esperamos o internato.
Esperamos o campo (… sem nenhuma notícia.)

Contamos com qualquer tipo de informação da base – ínfimo que seja -, por cada sucesso ou deslize que eles nos contem.
Esperamos cada aceitação. Cada divertimento. Cada revolta.
Esperamos.

E aí chega o dia da Boina!
Ou o dia da formatura de toda e qualquer patente, porque, para nós, é sempre espera, não importa se seja recruta, cabo, sargento, tenente, oficial…..

Esperamos.

Mas vou falar da Boina Verde Oliva.
Da Boina que faz com que nossos garotos deixem de ser recrutas e virem soldados.

Demora para marcar o evento.
Quando marca, demora para chegar o dia.
E, quando chega, demora a acontecer o momento.

E, nesse caso de serviço militar obrigatório, a “mulher da vida deles” é, quase sempre, a mãe.

Nós vivemos uma vida civil antes disso.
E a Boina é a transição.
Ele não é mais ” meu garoto civil”
Ele é um militar.

E você se dá conta q isso está acontecendo há um tempo.

No início, em 1.º de agosto de 2019, um dos superiores disse que a “história de que eles entram garotos e saem homens, é balela”.

Eles entram homens e são lapidados.
Os bons homens saem melhores.
Os maus que se aprumem.

E hoje eu coloquei a Boina no meu “lapidado”

Vi nos olhos dele a ansiedade. A espera de ser aceito. De ser integrado.
A consciência e responsabilidade de um homem!

O Exército Brasileiro é uma instituição rígida, porém justa.
Eles aprendem isso quando entram.
E nós também.

Lucas diz que “um militar nunca está atrasado nem adiantado. Ele está sempre no horário.”

Hoje vesti a Boina e cumprimentei meu filho.
Fiz uma brincadeira de criança e encostei a ponta do meu nariz na do meu filho. E, como resposta, recebi um abraço.

Porque meu tempo passou e ele está no tempo dele.
E agora, como nos vídeos dos retornos surpresa, como na formatura de hoje, como na vida, um abraço é a coisa mais importante do mundo.

A nós, “mulheres de militares” cabe esperar.

Esperar esse abraço que diz CRESCI! Sou do mundo, mas caibo no seu abraço e você cabe no meu.

O slogan do Exército faz todo sentido agora: BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA.

Eles, de recruta a general, são o braço forte e a mão amiga da nação. Mas nós, “mulheres” (e homens) desses militares, somos o abraço que traz a força pra esse braço e a amizade dessa mão. “

  • O Bizu de Mãe agradece a confiança e o carinho ao dividir sua experiência com o restante das mães de recrutas.

Páscoa fora de época: tributo à história

No calendário das Forças Armadas Brasileiras, a celebração da Páscoa tem um data especial. Em Curitiba, organizações militares do Exército, a Força Aérea Brasileira e as Forças Auxiliares compostas por Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal se reuniram no dia 2 de outubro.

A celebração tem um motivo histórico. Como nos lembra o capelão militar, da 5.ª Região Militar, Tenente Cardoso, no retorno dos combatentes da Segunda Guerra Mundial foi realizada, em 1945, uma missa campal na Praça XV, no Rio de Janeiro, para que os soldados pudessem celebrar a vida.

Há 74 anos, relembramos o retorno dos soldados que viveram momentos de dor, angústia e desespero nos campos de batalhas. Ao chegar ao porto no Rio de Janeiro, eles pediram aos capelões que celebrassem a Páscoa junto às famílias. (…) Para essa vitória também foi preciso existir a derrota porque muitos irmãos tombaram (mas) nunca serão esquecidos.

Este ano, na Guarnição de Curitiba, a data foi comemorada com três eventos simultâneos: um católico, um espírita e outro evangélico.

É tempo de refletir sobre a realidade da morte, vivenciada durante a guerra, e da ressurreição, vivenciada na volta para casa.

A celebração católica foi realizada no Santuário São José do Capão Raso, pelo Arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo. Em seu sermão, Dom José exaltou a coragem e perseverança dos militares brasileiros no combate da Segunda Guerra Mundial.

Os evangélicos se reuniram na Primeira Igreja Batista de Curitiba, onde a ministração da palavra foi sobre o verdadeiro sentido da páscoa e a significatividade da ressurreição e da renovação.

No encontro espírita, o religioso Luiz Alberto Silva foi convidado a explanar sobre o tema Páscoa e Reencarnação. A reunião foi realizada no Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo – CINDACTA II.

CELOTEX*

Resolvi inovar. Diante de alguns mensagens recebidas, ultimamente, com dúvidas e perguntas achei interessante criar uma seção ao blog Bizu de Mãe para esses drops. Pensei e lembrei de uma palavra que ouvia quando criança do meu avô. Assim, surgiu o Celotex* que tem tudo a ver com a proposta.

Pode ser o espaço para responder àquela dúvida que não sabe com quem tirar. E eu promete responder a todas elas! Pode ser aquele local para contar uma história vivenciada pela pessoa e escrita por ela. Pode ser um aviso ou, simplesmente, um mural de recados. Use e abuse.

Para manter o sigilo, o espaço está em ambiente seguro. Pode ser acessado por aqui. Formulário de perguntas e respostas

Meu filho tem TDHA e está no quartel. Não contou nada porque tem medo de ser discriminado e que o deixem de lado. Como lidar com a situação?

Primeiramente é preciso esclarecer que o diagnosticado com TDAH – doença crônica que inclui dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade – pode conviver com todas as pessoas e em todos os lugares, medicado ou não. Se usar medicação, conviverá de forma mais tranquila e mais saudável. Em especial, para quem convive com os sintomas.

Os adolescentes costumam ser mais cruéis em seus comentários, mas é importante orientar para quem é TDAH que não precisa, necessariamente, expor sua vida e suas particularidades.

Deve agir e fazer o que lhe parece mais coerente para sua situação e que lhe dará uma condição mais adequada para cada local e para cada grupo de pessoas. Acima de tudo, que ele possa viver naquele ambiente de forma que lhe proporcione uma relação saudável e a mais natural  possível. É importante o diagnóstico para dar acompanhamento por um profissional médico e multidisciplinar.

Para saber mais:
As pessoas podem apresentar no comportamento: agressão, excitabilidade, hiperatividade, impulsividade, inquietação, irritabilidade ou falta de moderação. Na cognição: dificuldade de concentração, esquecimento ou falta de atenção. No humor: ansiedade, excitação ou raiva. Também é comum: depressão ou dificuldade de aprendizagem

Eliane Volpe, psicopedagoga.

Nos últimos tempos, meu filho começou a apresentar um comportamento estranho, com mensagens que levam a crer a possibilidade de suicídio. Como posso ajudá-lo?

Importante orientar o filho a procurar ajuda no oficial de comando da bateria e quartel que faz parte. No 20.°BIB, por exemplo, tem um programa chamado Projeto Semear que busca a valorização da vida com o foco no desestimulo de drogas lícitas e ilícitas, bem como outros vícios que atrapalham a vida sócio-econômico-emocional do indivíduo e daqueles do seu convívio. Propõe-se a incentivar a prática de bons hábitos como: amor próprio, confiança, responsabilidade, cordialidade, pontualidade, assiduidade, resultando no fortalecimento dos laços familiares.

* O Celotex é um espaço para esclarecimento de dúvidas e de informações. É um termo usado no meio militar.

Deixa o filho ser pipa

São muitas coisas que acontecem. Dia a dia. Hora a hora. E nem sempre dá tempo de escrever ou até mesmo rende um texto daqueles recheados de detalhes. Sim, textões são os meus preferidos. Mas, não quero perder os registros de momentos que podem parecer banais agora, mas daqui a alguns anos vão fazer a diferença!

Nos cortes, recortes e desvios dessa vida chamada Mundo Verde os sentimentos são os que mais prevalecem nesse momento. Às vezes – e são muitos – paro para pensar do motivo de tanta intensidade. Nem sempre consigo chegar a uma resposta racional.

E lembrei de um livro que li há algum tempo.  “Existem dois legados que podemos deixar para nossos filhos. Um deles, são as raízes. O outro, asas” . Vamos deixá-los ser pipa. Voar em liberdade, e mostrar que estamos aqui simbolizadas pelo tênue fiozinho. Que sonhos a pipa não carrega? Que altura ela quer atingir?

Todos estão cansados, de alguma forma, e tudo isso mexe com a gente. Viemos de dois fins de semana com atividades intensas. Mudanças de rotina. Missões distantes. Falta de informação e contato. Primeiro o Juramento da Bandeira e no último, o desfile de parte dos soldados do 5.°GACPAC, em São José dos Pinhais. O próximo é o ápice, o desfile de 7 de Setembro.

São missões diversas que cada um dos que participaram levarão na memória sua experiência. Foram mudanças ao longo desses seis meses. Uma delas, é que o Bruno mudou de OM (organizações militares) e sua rotina também sofreu diversas alterações. Uma delas foi o distanciamento do grupo. (isso vale outra postagem para discutir pertencimento, companheirismo e por aí vai)

E mais do que nunca penso que é preciso refletir. Os novos soldados – deixaram de ser recrutas quando juraram à Bandeira – estão de “boa” como a gíria e a linguagem informal dessa época lembra que “tudo está tranquilo, sossegado, sem problemas”. Está sendo fácil? Não, com certeza, dependendo da personalidade de cada um; da resistência física; da maturidade emocional e, principalmente, da vontade de estar naquele ambiente.

E esse momento de reflexão não diz respeito a esses homens adultos que se descobriram durante esse ritual de passagem. O problema tem sido as mães que nem sempre entendem que o controle não é mais delas.

Eu sou mãe (é claro!). Chorei, choro e me preocupo com situações que não tenho e nunca terei controle dentro do quartel. Mas, e aí? O mundo vai acabar? Vou permitir ficar depressiva? Não! Definitivamente, não. Somos seres únicos, com vontades e dificuldades. Que amamos demais, que sentimos demais e que, acima de tudo, que somos inteligentes em permitir o voo de quem vai continuar sendo filho. Só cresceu! Esse mundo paralelo é um aprendizado dia a dia mais para nós que estamos do outro lado do muro do que para eles que estão lá dentro, diga-se de passagem.

É hora de pé no chão. O amor de uma mãe nem sempre é incondicional lembrando que o significado léxico é integral, absoluto e imperioso. Em muitos casos, o amor maternal carrega uma cota de vitimismo, de sofrimento e de limitações. Frases como “vivemos por eles” e “vivemos para eles” devem ganhar uma nova conotação para o bem de todos com “vivemos com eles”. É saudável de outra forma? Nunca. O cinema e a literatura tem dezenas de filmes que retratam essa influência de mães controladoras.

E o que é uma mãe controladora? Na psicologia, aponta-se alguns aspectos como uma pessoa que “tenta vigiar cada passo do outro” A saída seria de que o outro lado – no caso, o filho – deve ser assertivo porém afetuoso a fim de estabelecer limites. No entanto, nem sempre a mãe no caso vai entender isso como uma atitude madura, mas como uma forma de distanciamento e desamor.

Nossos filhos aprendem a se relacionar através do exemplo que os pais demonstram desde quando são pequenos. Isso é fato! E conforme o espelho, o reflexo na vida adulta pode ser tóxico.

Preocupar-se com o futuro dos filhos é uma ação natural. Porém, quando essa preocupação se torna tão grande a ponto de gerar muita angústia ou ansiedade, é hora de rever essa maneira de pensar.

E o que se vê do outro lado? Um adulto silencioso. Silenciar emoções e não contar detalhes é um código inteligente para criar menos conflitos. Serve para proteção e para agradar a mãe que não vai entender que sim, ele cresceu e tem sua própria opinião.

Outro conselho, e não é meu, porque vira e mexe especialistas lembram o quanto é importante evitar depositar muitas expectativas no outro. Cada ser humano é único e tem o direito fundamental de se expressar e viver como se é de verdade. Pensem que com o filho é da mesma forma porque nenhum gostaria de ser responsável pela não concretização de um sonho materno, por exemplo. O ter obrigação de seguir um sonho ou uma história que não foi sonhada por ele, pode ser algo muito frustante.

O que tem significado todas essas mudanças e o que nós, mães, estamos fazendo para crescer como pessoas? Fica a reflexão.