No calendário das Forças Armadas Brasileiras, a celebração da Páscoa tem um data especial. Em Curitiba, organizações militares do Exército, a Força Aérea Brasileira e as Forças Auxiliares compostas por Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal se reuniram no dia 2 de outubro.
A celebração tem um motivo histórico. Como nos lembra o capelão militar, da 5.ª Região Militar, Tenente Cardoso, no retorno dos combatentes da Segunda Guerra Mundial foi realizada, em 1945, uma missa campal na Praça XV, no Rio de Janeiro, para que os soldados pudessem celebrar a vida.
Há 74 anos, relembramos o retorno dos soldados que viveram momentos de dor, angústia e desespero nos campos de batalhas. Ao chegar ao porto no Rio de Janeiro, eles pediram aos capelões que celebrassem a Páscoa junto às famílias. (…) Para essa vitória também foi preciso existir a derrota porque muitos irmãos tombaram (mas) nunca serão esquecidos.
Este ano, na Guarnição de Curitiba, a data foi comemorada com três eventos simultâneos: um católico, um espírita e outro evangélico.
É tempo de refletir sobre a realidade da morte, vivenciada durante a guerra, e da ressurreição, vivenciada na volta para casa.
A celebração católica foi realizada no Santuário São José do Capão Raso, pelo Arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo. Em seu sermão, Dom José exaltou a coragem e perseverança dos militares brasileiros no combate da Segunda Guerra Mundial.
Os evangélicos se reuniram na Primeira Igreja Batista de Curitiba, onde a ministração da palavra foi sobre o verdadeiro sentido da páscoa e a significatividade da ressurreição e da renovação.
No encontro espírita, o religioso Luiz Alberto Silva foi convidado a explanar sobre o tema Páscoa e Reencarnação. A reunião foi realizada no Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo – CINDACTA II.
Resolvi inovar. Diante de alguns mensagens recebidas, ultimamente, com dúvidas e perguntas achei interessante criar uma seção ao blog Bizu de Mãe para esses drops. Pensei e lembrei de uma palavra que ouvia quando criança do meu avô. Assim, surgiu o Celotex* que tem tudo a ver com a proposta.
Pode ser o espaço para responder àquela dúvida que não sabe com quem tirar. E eu promete responder a todas elas! Pode ser aquele local para contar uma história vivenciada pela pessoa e escrita por ela. Pode ser um aviso ou, simplesmente, um mural de recados. Use e abuse.
Meu filho tem TDHA e está no quartel. Não contou nada porque tem medo de ser discriminado e que o deixem de lado. Como lidar com a situação?
“Primeiramente é preciso esclarecer que o diagnosticado com TDAH – doença crônica que inclui dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade – pode conviver com todas as pessoas e em todos os lugares, medicado ou não. Se usar medicação, conviverá de forma mais tranquila e mais saudável. Em especial, para quem convive com os sintomas.
Os adolescentes costumam ser mais cruéis em seus comentários, mas é importante orientar para quem é TDAH que não precisa, necessariamente, expor sua vida e suas particularidades.
Deve agir e fazer o que lhe parece mais coerente para sua situação e que lhe dará uma condição mais adequada para cada local e para cada grupo de pessoas. Acima de tudo, que ele possa viver naquele ambiente de forma que lhe proporcione uma relação saudável e a mais natural possível.É importante o diagnóstico para dar acompanhamento por um profissional médico e multidisciplinar.
Para saber mais: As pessoas podem apresentar no comportamento: agressão, excitabilidade, hiperatividade, impulsividade, inquietação, irritabilidade ou falta de moderação. Na cognição: dificuldade de concentração, esquecimento ou falta de atenção. No humor: ansiedade, excitação ou raiva. Também é comum: depressão ou dificuldade de aprendizagem
Eliane Volpe, psicopedagoga.
Nos últimos tempos, meu filho começou a apresentar um comportamento estranho, com mensagens que levam a crer a possibilidade de suicídio. Como posso ajudá-lo?
Importante orientar o filho a procurar ajuda no oficial de comando da bateria e quartel que faz parte. No 20.°BIB, por exemplo, tem um programa chamado Projeto Semear que busca a valorização da vida com o foco no desestimulo de drogas lícitas e ilícitas, bem como outros vícios que atrapalham a vida sócio-econômico-emocional do indivíduo e daqueles do seu convívio. Propõe-se a incentivar a prática de bons hábitos como: amor próprio, confiança, responsabilidade, cordialidade, pontualidade, assiduidade, resultando no fortalecimento dos laços familiares.
* O Celotex é um espaço para esclarecimento de dúvidas e de informações. É um termo usado no meio militar.
São muitas coisas que acontecem. Dia a dia. Hora a hora. E nem sempre dá tempo de escrever ou até mesmo rende um texto daqueles recheados de detalhes. Sim, textões são os meus preferidos. Mas, não quero perder os registros de momentos que podem parecer banais agora, mas daqui a alguns anos vão fazer a diferença!
Nos cortes, recortes e desvios dessa vida chamada Mundo Verde os sentimentos são os que mais prevalecem nesse momento. Às vezes – e são muitos – paro para pensar do motivo de tanta intensidade. Nem sempre consigo chegar a uma resposta racional.
E lembrei de um livro que li há algum tempo. “Existem dois legados que podemos deixar para nossos filhos. Um deles, são as raízes. O outro, asas” . Vamos deixá-los ser pipa. Voar em liberdade, e mostrar que estamos aqui simbolizadas pelo tênue fiozinho. Que sonhos a pipa não carrega? Que altura ela quer atingir?
Todos estão cansados, de alguma forma, e tudo isso mexe com a gente. Viemos de dois fins de semana com atividades intensas. Mudanças de rotina. Missões distantes. Falta de informação e contato. Primeiro o Juramento da Bandeira e no último, o desfile de parte dos soldados do 5.°GACPAC, em São José dos Pinhais. O próximo é o ápice, o desfile de 7 de Setembro.
São missões diversas que cada um dos que participaram levarão na memória sua experiência. Foram mudanças ao longo desses seis meses. Uma delas, é que o Bruno mudou de OM (organizações militares) e sua rotina também sofreu diversas alterações. Uma delas foi o distanciamento do grupo. (isso vale outra postagem para discutir pertencimento, companheirismo e por aí vai)
E mais do que nunca penso que é preciso refletir. Os novos soldados – deixaram de ser recrutas quando juraram à Bandeira – estão de “boa” como a gíria e a linguagem informal dessa época lembra que “tudo está tranquilo, sossegado, sem problemas”. Está sendo fácil? Não, com certeza, dependendo da personalidade de cada um; da resistência física; da maturidade emocional e, principalmente, da vontade de estar naquele ambiente.
E esse momento de reflexão não diz respeito a esses homens adultos que se descobriram durante esse ritual de passagem. O problema tem sido as mães que nem sempre entendem que o controle não é mais delas.
Eu sou mãe (é claro!). Chorei, choro e me preocupo com situações que não tenho e nunca terei controle dentro do quartel. Mas, e aí? O mundo vai acabar? Vou permitir ficar depressiva? Não! Definitivamente, não. Somos seres únicos, com vontades e dificuldades. Que amamos demais, que sentimos demais e que, acima de tudo, que somos inteligentes em permitir o voo de quem vai continuar sendo filho. Só cresceu! Esse mundo paralelo é um aprendizado dia a dia mais para nós que estamos do outro lado do muro do que para eles que estão lá dentro, diga-se de passagem.
É hora de pé no chão. O amor de uma mãe nem sempre é incondicional lembrando que o significado léxico é integral, absoluto e imperioso. Em muitos casos, o amor maternal carrega uma cota de vitimismo, de sofrimento e de limitações. Frases como “vivemos por eles” e “vivemos para eles” devem ganhar uma nova conotação para o bem de todos com “vivemos com eles”. É saudável de outra forma? Nunca. O cinema e a literatura tem dezenas de filmes que retratam essa influência de mães controladoras.
E o que é uma mãe controladora? Na psicologia, aponta-se alguns aspectos como uma pessoa que “tenta vigiar cada passo do outro” A saída seria de que o outro lado – no caso, o filho – deve ser assertivo porém afetuoso a fim de estabelecer limites. No entanto, nem sempre a mãe no caso vai entender isso como uma atitude madura, mas como uma forma de distanciamento e desamor.
Nossos filhos aprendem a se relacionar através do exemplo que os pais demonstram desde quando são pequenos. Isso é fato! E conforme o espelho, o reflexo na vida adulta pode ser tóxico.
Preocupar-se com o futuro dos filhos é uma ação natural. Porém, quando essa preocupação se torna tão grande a ponto de gerar muita angústia ou ansiedade, é hora de rever essa maneira de pensar.
E o que se vê do outro lado? Um adulto silencioso. Silenciar emoções e não contar detalhes é um código inteligente para criar menos conflitos. Serve para proteção e para agradar a mãe que não vai entender que sim, ele cresceu e tem sua própria opinião.
Outro conselho, e não é meu, porque vira e mexe especialistas lembram o quanto é importante evitar depositar muitas expectativas no outro. Cada ser humano é único e tem o direito fundamental de se expressar e viver como se é de verdade. Pensem que com o filho é da mesma forma porque nenhum gostaria de ser responsável pela não concretização de um sonho materno, por exemplo. O ter obrigação de seguir um sonho ou uma história que não foi sonhada por ele, pode ser algo muito frustante.
O que tem significado todas essas mudanças e o que nós, mães, estamos fazendo para crescer como pessoas? Fica a reflexão.
Aprendi que ser mãe de recruta é viver na gangorra. Um sobe e desce agitado; ora mais tranquilo, ora mais agitado. Comparei outro dia com a correria quando começaram a dar os primeiros passos, quando se colocaram em pé e saíram tresloucados pelo espaço para descobrir o mundo. E que mundo!
No quesito Mundo Verde, estamos vivendo um período de calmaria. É um silêncio morno, quieto mas pulsante. Sempre à espera. Mas do quê?, me pergunto a cada dia que o deixo na porta do quartel. E junto a dúvida, invariavelmente, vem seguida de outra pergunta: quem somos nós, como mães? Pararam para pensar que da forma como agimos ajudamos a deixar marcas em nossos filhos? Até que ponto ser mãe é estar intrometida? Ou seja, no sentido de encontrar-se mais curiosa. Da minha parte, ser ou não mãe é estar curiosa 24 horas por dia!
Tem dias que não estão nem aí para nós. A simples pergunta: “Como foi seu dia hoje?” pode ser motivo de um esgar de boca que deve significar um “sei lá”, aquele levantar de sobrancelha que significa nada mais do que ” menos, mãe….” e até mesmo “ah, deixa para lá”. Bom é quando o pegamos naqueles dias bons que o “tudo beleza” é o máximo que vamos ouvir.
Só muda o endereço… E na reflexão das idas e vindas enquanto dirijo, penso: não basta ser mãe, tem que deixar o filho viver e experimentar.
“A preocupação começa a ser um problema quando interfere na qualidade da relação entre todos, excesso de checagem do bem-estar e pensamentos repetitivos sobre a segurança, quando o único assunto a ser discutido é a criança/adolescente e, ao longo do tempo, o casal não retoma a rotina pessoal com qualidade e independência para todos”, explica o psicólogo clínico e escritor Frederico Mattos, autor do site http://www.filhoadolescente.com.br
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Na psicologia, costuma-se traçar alguns perfis. Você consegue se identificar? Ou tem alguma sugestão? Os mais comuns são:
1. A mãe perfeccionista: geralmente é uma mulher ansiosa e controladora. Ela preza pela aparência acima de tudo, sua fachada autoritária e perfeita é uma forma de esconder seus medos. Os filhos dessas mulheres tendem a ser hipercríticos de si mesmos e, frequentemente, sentem-se inadequados e vazios.
Pontos fortes: Têm um forte senso de compromisso nos relacionamentos. São responsáveis e confiantes em tudo que fazem. Valorizam o trabalho e a persistência acima de tudo, pois é através dessas qualidades que enfrentam seus desafios.
O lado emocional: Acham que a opinião dos outros é sempre melhor ou mais importante do que a deles mesmos. Frequentemente acham que os outros estão sempre os julgando. Ou seja, vivem para realizar as expectativas dos outros.
2. A mãe imprevisível: ansiosa, irritada e excessivamente emocional, esta mãe é dominada por seus sentimentos e, por isso, o seu estilo parental é baseado em seu humor. Este é o tipo de mãe mais caótico de todos. Ela cria problemas, dúvidas e crises em sua imaginação, é muito influenciada pelas suas emoções, e descarrega toda essa energia em seus filhos.
Pontos fortes: Eles têm excelentes habilidades para se relacionar com as outras pessoas e uma capacidade enorme de empatia. Muitas vezes são grandes motivadores e sempre oferecem apoio emocional aos seus colegas, bem como amigos e familiares.
Lado emocional: Crescem com uma necessidade intrínseca de cuidar das pessoas e de seus problemas emocionais. Têm tendência a serem dominados por fortes emoções como a raiva, a ansiedade e a depressão. Aprendem desde cedo a ler as pessoas e as situações, dessa forma conseguem lidar melhor com os sentimentos dos outros.
3. A mãe “melhor amiga”: ela gosta de tratar seus filhos de forma igualitária, dessa forma evita a responsabilidade de estabelecer limites. Este tipo de mãe acredita que a sua vida acabaria caso ela abraçasse a maternidade com todo o seu ser, então ela evita a responsabilidade desse papel. Tanto a criança quanto a mãe se tornam confidentes uma da outra e, apesar disso não ocorrer voluntariamente, a criança acaba ficando sem uma ”mãe”. Neste caso, as necessidades emocionais da mãe são tão grandes que ela tentar preenchê-las através da criança.
Pontos fortes: Compreendem a necessidade da existência de barreiras entre pais, filhos, colegas e familiares. Devido a um senso que foi criado através da falta de uma mãe verdadeira, essas pessoas frequentemente buscam assumir papéis de liderança quando adultos.
Lado emocional: Geralmente se sentem negligenciados e têm medo da rejeição. Tendem a se sentir ressentidos e têm dificuldade em manter relacionamentos. Frequentemente se sentem mal queridos pelos outros.
4. A mãe “eu em primeiro lugar”: é um dos estilos maternais mais prevalecentes hoje em dia. Essas mães são incapazes de verem seu filhos como indivíduos separados de si mesmas. Seus filhos precisam aprender desde cedo que o papel deles é adular a sua mãe.
Pontos fortes: São muito bons em apoiar os outros. São intuitivos e perspicazes em todos os tipos de relações. São leais e solidários, capazes de observar as dificuldades alheias e solucionar seus problemas.
Lado emocional: Têm dúvidas quanto à capacidade de tomada de decisão. Têm dificuldade em confiar nos próprios sentimentos e veem a opinião de suas mães como mais importante e mais poderosa que a própria opinião.
5. A mãe completa: este é o tipo de mãe ideal. Estudos indicam que apenas 10% da população mundial tem esse perfil. A mãe completa é emocionalmente equilibrada, consegue ver seus filhos como indivíduos e os ajuda a alcançar sua própria independência. Ela pode até não ser perfeita, mas independente das circunstâncias em que se encontra ou das responsabilidades fora de casa, ela sempre está comprometida com a maternidade.
Pontos fortes: Sentem-se amados e compreendidos, por isso não têm medo de correr riscos ou sofrer mudanças. Iniciam relacionamentos com facilidade, pois não têm medo da rejeição.
Lado emocional:Entendem que as outras pessoas têm suas próprias perspectivas sobre a vida, por isso são bem receptivos. São capazes de navegar pelos desafios, de se tornar independentes sem se prenderem demais às suas mães.
1978. Um ônibus – daqueles típicos do interior – fazia a cada ano um destino certo. Trazer centenas de jovens para cumprir o serviço militar na capital. Naquele ano, não foi diferente. O veículo antigo circulou e fez paradas em diversos quarteis de Curitiba. No destino final, a Av. Erasto Gaertner, no bairro Bacacheri, em frente ao 20.° Batalhão de Infantaria Blindada Max Wolf Filho. Iniciava-se a longa jornada de experiências do pai do 736 que serviu na 1.ª Cia Operacional por um ano e cinco meses.
“Servir ao Exército Brasileiro era uma tradição de família”, pontua, orgulhoso, Hélcio Campos Alves Jr, 60 anos, mostrando o certificado de honra ao mérito recebido ao fim da carreira militar. Até hoje, ele lembra que foi o soldado 2254. Ao lembrar daquela manhã, quando deixou a família em Uraí, no norte do estado, se emociona. ” O quartel foi minha casa, minha referência; aprendi muito e só deixei o quartel por solidão”. Para ele não era fácil precisar ser “laranjeira” – o que mora no quartel – principalmente, aos fins de semana, quando todos iam para casa. “Saia com os que ficavam também – mas eram poucos – e íamos conhecendo a cidade à pé. O dinheiro era curto”.
Pouco se fala dos pais de recrutas, e a grande maioria, serviu às Forças Armadas e o Bizu de Mãe não poderia deixar de registrar esse sentimento que volta à tona quando se vê o filho vivendo o que o pai passou lá atrás.
Vem a lembrança de que o pai também usou a farda, camuflou o rosto, empunhou um fuzil. Cavou trincheiras, marchou em ordem unida. Prestou continência e correu acelerado. “Tudo que era feito naquela época tinha que ser correndo”. Fez a barba em pequenos espelhos; tomou banho em menos de cinco minutos; comeu mais rápido ainda no rancho. Cantou o Hino Nacional, da Bandeira e da Infantaria. “Até hoje é emocionante ouvir alguns deles e lembrar que já estive lá”. Quando conta que serviu no 20BIB sempre recebe um olhar de respeito. “Brincam que só os fortes passam pelo quartel tão tradicional”.
Na sequência das lembranças, é claro que não dá para esquecer dos turnos da guarda, do frio e do desconforto. Do cansaço que levava dar aquele cochilo e da lembrança que qualquer passo em falso, era punição na certa.
Das melhores lembranças, vem à tona a divisão da água no cantil, dos amigos que ainda se lembram dos números e dos apelidos, das longas horas de exercício. Das piores, ele ri. Em uma missão – e foram muitas realizadas na serra de Quatro Barras – precisou ajudar o soldado da frente a sair de um túnel. “Tinha entalado e o gás lacrimogêneo comia solto”. Ou daquela vez que foram acordados em plena madrugada fria – muito fria – e cada soldado vestido de um jeito. E quando batia a fome? Nas marchas longas e permanência de semanas na mata, a saída eram as galinhas. O toque da alvorada hoje voltou a tocar no celular para acordar o filho.
“Virei homem e levo comigo todos os ensinamentos e o orgulho de ter feito parte dessa família. Aprendi sobre honra, retidão, respeito, obediência. Hoje, sigo outras missões. Ficou o aprendizado que deixo para meus filhos e a saudade de ter sido um soldado da infantaria”.
“De norte a sul do Brasil, o soldado brasileiro é sentinela atenta. Entra ano e sai ano, jovens brasileiros tornam-se reservistas. E ampliam sua consciência de cidadão, porque no quartel não se aprende apenas a fazer a guerra; no quartel se aprende, e muito, a ser cidadão, a gostar do seu país, a ser solidário. Por isso é que depois ninguém esquece o serviço militar. Volta e meia está se falando desses tempos e desse lugar onde de fato a pessoa experimenta o significado do companheirismo verdadeiro.“
Fonte: Revista Verde Oliva (Centro de Comunicação Social do Exército)
Quer saber como vive um recruta do Exército? Então, venha comigo nessa experiência que reproduzo através do relato da jornalista Victoria Fontana, uma das profissionais que participou durante os cinco dias do Estágio em Assuntos Militares, no quartel da 5.ª Divisão do Exército, no bairro Pinheirinho, em Curitiba.
A EXPERIÊNCIA
Com o Tenente Coronel Kron e a Tenente Rosso conhecemos as graduações na hierarquia do exército, a função de cada quartel na região Sul, a distribuição por regiões no Brasil, e as funções do Exército, segundo a Constituição Federal e aplicação na prática. Além disso, conhecemos, por meio de vídeo institucional, o Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília, e toda a sua extensão em setores de comunicação em outros quartéis. São feitas produções de flayers, gibis, revistas e rádio chamados “Verde Oliva”. São feitas produções de vídeos para redes sociais sobre curiosidades, formas de ingresso, datas comemorativas, todos postados no YouTube do Exército, e visto por mais de meio milhão de seguidores. Além de fotos e vídeos para o Instagram, local, do user “5de_oficial”. “É bacana seguir para saber mais sobre o trabalho do Exército aqui no Sul”.
Na sequência tivemos uma palestra com o Chefe de Negociações do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Capitão Roncaglio, da Polícia Militar do Paraná. Ele nos explicou de que forma agem em situações de conflitos, através do atendimento do setor de negociações da PM, em casos de suicidas armados, sequestro, entre outros. Foi nos apresentado como são planejados os perímetros de segurança para a população e para os profissionais da imprensa. Também ouvimos exemplos de situações em que a imprensa interferiu no trabalho e acabou atrapalhando o serviço da PM.
2.° DIA DE TREINAMENTO
Iniciamos o aprendizado sobre Produtos Controlados pelo Exército (PCE), com Ten. Coronel Aguiar. As empresas fabricante de produtos como explosivos, fogos de artifício, armas, munições, blindagem de veículos, coletes balísticos, devem passar pela aprovação do Exército antes de serem comercializados, assim como o acompanhamento de cargas durante o direcionamento de importação e exportação. Segundo Coronel, o Exército tem um laboratório que faz os testes no protótipo do produto apresentado pela empresa.
Mulheres na Forças Armadas
Para falar das formas de ingresso e a participação da mulher nas Forças Armadas, tivemos a palestra com a primeira mulher a comandar as áreas de engenharias da 5• Divisão do Exército, Tenente Coronel Mayer. Segundo ela, nestes 22 anos como militar disse que não sofreu discriminação por ser mulher nem assédio, pois acredita que pela postura que adotou e pelos princípios do Exército, “disciplina e hierarquia” não possibilitaram abrir espaços para esses tipos de discussões. De acordo com a militar, atualmente, as mulheres representam 9% do efetivo das Forças Armadas no Brasil e ocupam diversas áreas como setores de engenharia, comunicação e saúde.
Para finalizar o dia, tivemos uma palestra com o General de Brigada, AléssioOliveira da Silva. Ele nos contou a experiência de ter feito parte as tropas do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABAT), enviadas ao Haiti, junto aos profissionais da imprensa internacional. Contou-nos do período em que foi chefe na Comunicação e produzia materiais tanto para o público interno quanto externo. Falou sobre o treinamento dos militares do Exército na relação com a mídia, por meio de entrevistas, ligações e publicações.
3.° DIA DE TREINAMENTO
Na quarta-feira, o aprendizado foi prático. Conhecemos a Polícia do Exército (PE), aos comandos do Tenente André. Cada “estagiário” recebeu um número, de 01 à 06, para nos fazermos sentir parte daquela experiência como “recrutas”. Colocamos capacetes e coletes e fomos apresentados aos armamentos e aos calibres utilizados pelas Forças Armadas e Forças Auxiliares (Polícia Militar e Civil). Depois da apresentação, fomos em um stand de tiro. Soldados treinados atiraram em diversas superfícies para vermos o nível de perfuração de cada armamento.
Vestidos com armaduras para gerenciamentos de confrontos urbanos, como a Garantia da Lei da Ordem (GLO), tivemos um treinamento sobre armas não-letais, como gás lacrimogênio, gás de pimenta, armas de tiro de borracha, entre outros. Cada “estagiário” teve a oportunidade de atirar, com ajuda e instrução do Ten. André, com uma arma de gás de efeito moral. Miramos para cima, atiramos e o “piiiin” no ouvido ficou por alguns segundos. Para quem nunca havia atirado, foi uma experiência marcante.
Em seguida assistimos o treinamento de policiais do exército em viaturas montadas. As motos como Harley Davidson são usadas para fazer a escolta de autoridades como o Presidente.
“É amedontrador”
Seguimos para a colocação de máscaras para entrar em uma câmara de gás de efeito moral. Fizemos fila indiana, um com a mão no ombro do outro e entramos e em segundos, saímos. Tiramos com cuidado as máscaras para não ter contato com o gás que era forte. Teve “estagiário” que sentiu arder os olhos por instantes. É amedrontador, pois ficamos com baixa visibilidade e usando uma máscara, que não estamos acostumados a usar, mas com toda segurança dos militares, foi tudo bem, mas desconfortável.
4.° DIA DE TREINAMENTO
Quinta-feira fizemos um passeio de conhecimento em dois quartéis do exército aqui, em Curitiba. Primeiro fomos até o Parque Regional de Manutenção 5, no Bacacheri. Lá, conhecemos o comandante da unidade, Coronel Ferrari, que contou sobre uma das principais funções do quartel com a linha de produção de coletes balísticos para o exército, barracas e reforma dos blindados.
Quanto aos tanques são recebidos por doações do exterior ou de outras unidades nacionais. Eles passam por sete galpões, onde militares especializados, entre eles sete civis, atuam na desmontagem, limpeza, reforma, pintura, montagem e testes dos blindados. É um dos locais mais organizado e limpo que já conheci, se tratando da parte de mecânica de veículos. Tudo enumerado, alinhado e ordenado.
Na sequência, fomos ao quartel 20• Batalhão de Infantaria Blindada (20 BIB), também no bairro Bacacheri, e recepcionados pelo Subtenente Marcelo. É um dos quartéis mais antigos da região e histórico. Durante o passeio, vimos estátuas de heróis no Exército em batalha, e um carro, em exposição, usado na missão de paz da ONU.
O caçador do Exército
Tivemos uma palestra com o Tenente Wendel sobre a função de caçador no Exército. É um militar que se especializa em tiros precisos, com decisões subjetivas no que diz respeito à tiros certeiros, ter técnica em tiros de longa distância com armamentos pesados, ter capacidade de se esconder para sobreviver, além de bom porte físico. Esses são alguns requisitos para ser um conhecido como “sniper”.
Depois da explicação história e técnica, fomos a campo para tentar encontrar um militar caçador. De fato, não encontramos. Mas foi boa a experiência.
Em seguida, demos um passeio emocionante de blindado. Os comentários ao final do passeio eram “podemos ir de novo?”.
Como última atividade do dia, experimentamos a “ração militar”. É um alimento estudado por nutricionistas para a alimentação dos militares que vão a campo ou participam de missões. É um pacote com cardápios variados: refeições para almoço, lanches, café, barras de cereais, café, sal, açúcar, entre outros. Experimentamos o kit do almoço que continha arroz, feijoada e frango com batata. Muito bom e temperado.
ÚLTIMO DIA DE TREINAMENTO
Enfim chega a sexta-feira (5). Último dia de atividades. E o aperto no peito da despedida.
Tivemos a última palestra com a jornalista Daiane Andrade, que participou junto ao Exército da Missão de Paz, no Haiti. Ela ficou na última semana das tropas brasileiras no país. Fez reportagens para a rádio Bandnews SP e fotografou algumas cenas que foram mostradas durante a palestra. Daiane nos contou sua experiência pessoal e profissional, o que nos ajudou a ter a sensação de que estivemos lá. Em meio ao relato, a história daquele povo sofrido, e da miséria em saneamento básico, coleta de lixo e fome.
Para encerrar, participamos da formatura militar em celebração do 128 anos da 5• Região Militar. Cerimônia linda, com música, desfile e gritos de guerra em homenagens aos Heróis do Cerco da Lapa.
Como forma de retribuir, nós jornalistas participantes Victória Fontana (eu), Giselle Ulbrich, Fabiana Wantuch, Daniela Sevieri e Alexandra Fernandes fizemos um texto de agradecimento a todos envolvidos, principalmente ao Ten. Coronel Kron, Tenente Rosso, Tenente Denise, Sargento Gustavo, Cabo Max, Cabo Cristian e Soldado Lourenço.
Texto de agradecimento: “Para nós mulheres, o Exército não é algo corriqueiro, que faça parte da rotina das nossas vidas. Como jornalistas nem sempre conseguimos idealizar e transcrever o que é a vida e a carreira militar! Note-se que ambas se misturam, posto que não há como ter carreira militar sem amor à farda. Então, de fato, percebemos que a vida do militar vai muito além dos portões dos quartéis, do verde oliva da farda. É como um dom. Amor pela Pátria e por esse país que nem sempre reconhece a importância dos seus. E diria, quem mais além dos militares amam a pátria a ponto de dar a vida por ela? Por esse motivo vocês são tão especiais, porque cuidam do nosso Brasil como cuidam de si próprios e de suas próprias famílias… Nesse último dia de curso queremos agradecer imensamente a atenção, o respeito, e o carinho em nos receber e nos contar um pouquinho do que é a vida verde oliva! Hoje tenho certeza que o Brasil está seguro, pois temos na linha frente nossos heróis de verde!”
Sim, essa simbiose com a vida militar nos faz parar e pensar. É uma rotina atípica, que envolve a todos, de certa forma. Estamos sempre à disposição. E paramos para refletir o que vai significar esse ano? Lembrei de uma palestra do médico Drauzio Varella. … Continuar lendo Entrar pela porta do lado